Sociedade

Pacientes de consultas externas sem medicamentos para malária

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Pacientes com resultados positivos de malária, não internados no Hospital Central de Ndalatando, no Cuanza-Norte, reclamam pelo facto de não receberem fármacos para o tratamento da enfermidade.

A situação, constante nos últimos anos, deixa a população agastada e muitas vezes sem opção para a aquisição dos medicamentos, por alegada falta de dinheiro.

Josefa Adão, camponesa de 43 anos, moradora do bairro da Camundai, arredores de Ndalatando, interpelada pela reportagem do Jornal de Angola, à saída do hospital provincial, revela que, desde 2017, é a terceira vez que é consultada e mesmo com resultado positivo de paludismo é mandada para casa sem medicamentos.
A paciente diz que está sem dinheiro para comprar remédios e não entende a falta constante de medicamentos no Hospital Provincial Doutor António Agostinho Neto.
Quem também lamenta da mesma situação é o jovem Eduardo Caconda, de 18 anos, que afirma ir para casa sem medicamentos. “Os meus pais estão no município de Ambaca, onde estão a resolver problemas familiares, por isso não sei onde nem como obter medicamentos.”
Numa ronda em algumas farmácias privadas da cidade de Ndalatando apurou-se que uma dose de coarctem, de origem indiana, custa entre 1.500 e 2.000 mil kwanzas, enquanto os oriundos de Portugal estão orçados em 3.000 a 4.000 kwanzas.
Dados apurados dão conta de que a situação é do domínio da direcção do Gabinete Provincial de Saúde, que alega falta de organização dos gestores da unidade sanitária.
De acordo com a directora provincial da Saúde, Filomena Wilson, no Cuanza-Norte não existe falta de medicamentos para o combate à malária, tendo avançado que o paludismo é a patologia que mais fármacos recebe, atendendo à especificidade da doença.
“O fornecimento dos medicamentos é feito de forma regular e de acordo às necessidades de cada município”, sublinhou Filomena Wilson, acrescentando que,“no presente ano, são diagnosticados, diariamente, em toda a província, cerca de 200 casos de malária, contra os 500, em 2018 ”. Deu a conhecer que já houve contactos com a direcção do Hospital de Ndalatando, no sentido de se criar métodos que visam melhorar o fornecimento de medicamentos aos doentes das consultas externas, tendo em conta que a instituição alega que os fármacos existentes servem apenas para os doentes internados.
Caso o problema persista, a directora da Saúde no Cuanza-Norte aventa a possibilidade da exoneração da referida direcção. Fez saber que existe ainda a possibilidade da criação de uma farmácia externa, para atender os pacientes ambulantes.

Resultados falsos
Quanto à reclamação da população sobre os alegados resultados falsos de malária, realizados no laboratório do Hospital Central de Ndalatando, Filomena Wilson frisou que a questão pode estar relacionada com as habilidades dos técnicos e dos equipamentos usados para a realização das análises.
A responsável frisou que a maior parte dos laboratórios das unidades sanitárias públicas do Cuanza-Norte carece de reestruturação. Filomena Wilson disse que o facto já é do conhecimento do Ministério de tutela, através de informações envidas à Direcção Nacional de Saúde Pública.
“Reconheço haver deficiências a nível do funcionamento dos laboratórios da província. Em minha opinião, todos devem ser melhorados, principalmente no que toca à aquisição de novos microscópios e formação técnica do pessoal”, concluiu.

Fonte: JA/LD

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