Sociedade

Maternidade com média mensal de 134 grávidas seropositivas

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A directoria-geral da Maternidade Lucrécia Paím, Manuela Mendes, informou, na Sexta-feira passada, que a instituição que dirige diagnosticou e acompanha 404 mulheres grávidas com o VIH-SIDA, um indicativo que apontou ser apenas do primeiro trimestre do ano em curso, Manuela Mendes, que falava na ocasião da visita que a Primeira-dama da República de Angola, Ana Dias Lourenço, efectuou ao referido estabelecimento de saúde, em nome da campanha Nascer Livre para Brilhar, adiantou que, em 2018, o registo do género foi de 800 gestantes seropositivas que tiveram o parto aí, no universo de 28 mil e seis nascimentos.

Das 800 grávidas diagnosticadas com Vírus de Imunodeficiência Humana (VIH), apenas e 774 foram acompanhadas pela maternidade. “Nós seguimos as crianças nascidas com o VIH até aos oito meses e tomamos todas as medidas para continuarem o tratamento na pediatria depois desse período”, detalhou a directora da Maternidade Lucrécia Paím, tendo esclarecido que, apesar desses indicadores teoricamente assustadores, a taxa é de um por cento.

O número de gestantes que não aderem ao acompanhamento e ao tratamento preocupa as entidades envolvidas na campanha Nascer Livre para Brilhar, pelo facto de o seu objectivo ser impedir que uma criança nasça com o vírus da considerada doença do século XX.

Aliás, é sobre isso que a responsável da secção de Planeamento e Aconselhamento da Maternidade Lucrécia Paím, Maria do Céu, se abriu, exclusivamente, a OPAÍS, ao ponto de considerar que as convicções culturais e religiosas ainda constituem um dos grandes obstáculos ao sucesso da tomada de consciência e aceitação por parte de muitas mulheres grávidas.

“Infelizmente, são mais os esposos que proíbem mesmo as suas companheiras de fazerem o teste e, quando as senhoras o fazem sem a autorização dos mesmos, o que notamos é que essas gestantes já não aparecem na maternidade.

Maria do Céu disse que diariamente atende mais de 40 pessoas e as conversas com as mães começa quase sempre num ambiente de muita insegurança e desconfiança, principalmente quando se trata das jovens mães que aparecem pela primeira vez no hospital.

“Ainda assim, com a ajuda de colegas com alguma experiência nas relações do género e alguns versados em psicologia, conseguimos arrancar da maior parte das nossas interlocutoras a aceitação para a testagem”, considerou a técnica de saúde, tendo acrescentado que ela e a sua equipa já se dão por contentes por cumprirem a sua missão e respeitarem os limites que os direitos de cada paciente lhes impõe.

Senhoras não escondem o medo

Uma boa parte das mulheres grávidas que na manhã de Sexta-feira, 12, aguardavam pela sua vez de entrada para a consulta de planeamento, confessou que o aconselhamento é aderido por todas, mas a parte mais difícil é a decisão para o teste que impõe medo e o receio do pósteste. “Às vezes, as senhoras chegam com os maridos para ganhar coragem e manter aquela força.

Postos aqui, os senhores são os primeiros a recuar”, contou Madalena, adiantando já ter visto uma cena em que a mulher saiu da sala de testagem cabisbaixa, não se contendo, ao ponto de responsabilizar o marido pelo facto de o resultado do teste ter saído positivo.

Joana de Fátima, que também já fez o teste e está livre do flagelo, é de opinião que a secção de testagem não esteja “aberta” às movimentações do público que acorre á maternidade e muito menos exposta, a fim de reduzir a pressão psicológica que as gestantes acusam nos períodos anteriores à decisão do teste.

Fonte: O País/LD

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