Sociedade

"Está a chegar ao fim o tempo" em Moçambique. Casos de cólera confirmados

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Achefe da UNICEF alertou, esta sexta-feira, para o facto de que o tempo para ajudar Moçambique “está a chegar ao fim”.

Henrietta Fore chegou recentemente ao país, que foi devastado pelo ciclone Idai. Vinda de Nova Iorque, a responsável pela organização humanitária aterrou no porto da Beira, e terá ficado chocada ao ver, em primeira mão, o estado em que ficou o país. “Estamos a ficar sem tempo, este é um ponto crítico”, afirmou à AFP. 

As Nações Unidas já lançaram um apelo para que mais bens sejam doados, à medida que as operações de resgate continuam. 

“O próximo passo é conseguir água potável limpa porque o que se segue são casos de doença. Há água estagnada, não está a drenar, corpos em decomposição, falta de boa higiene e saneamento básico”, alertou, momentos antes de se confirmar aquilo que mais se temia. 

Primeiros casos de cólera reportados

The acordo com a BBC, uma semana após a tragédia, já foram registados casos de cólera. A informação foi reportada pelo grupo humanitário da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.

“Há uma crescente preocupação entre os grupos de ajuda com potenciais surtos de doenças", disse em comunicado esta organização. "Já foram identificados alguns casos de cólera na Beira, juntamente com um número crescente de infeções por malária entre as pessoas presas pelas inundações", acrescenta.

Recorde-se que, até ao momento, foram confirmadas 293 mortes, entre eles um português. Espera-se, ainda, que o número continue a aumentar.

Ajuda portuguesa já está no local

As equipas de ajuda têm, aos poucos, tentado dar às vítimas bens essenciais e melhores as condições do que aquelas em que têm vivido nos últimos dias. Contudo, o trabalho não é fácil e são vários osobstáculos, nomeadamente devido aos poucos helicópteros envolvidos nos trabalhos de resgate.

Crê-se que 1,7 milhões de pessoas foram afetados pelo ciclone, tendo ficado sem eletricidade e água potável. Casas e estradas foram destruídas, dificultando o acesso às populações.

De Portugal, a ajuda começou a chegar ontem. Cerca de 40 militares portugueses aterraram na cidade da Beira e já estão prontos para apoiar as operações de busca e assistência às vítimas do ciclone Idai no centro de Moçambique.

"Nós sentimos em Portugal como se isto tivesse acontecido lá. Moçambique é um povo irmão", disse Carlos Sobreira, comandante da operação, momentos após a aterragem, na Beira, centro de Moçambique, do avião C-130 da Força Aérea Portuguesa.

Também uma força operacional conjunta da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), com valências nas áreas de busca, salvamento, proteção e socorro em situações de emergência complexas, partiu ontem para Moçambique, para apoiar no socorro às vítimas do ciclone Idai.

Um porta-voz do Programa Mundial de Comida reconhece que os esforços “estão a chegar aos poucos e, felizmente, agora tem aumentado”.

Recorde-se que o Fundo de Emergência da Cruz Vermelha quase que duplicou em 24 horas. A organização recolheu 276.050,93 euros desde terça-feira, dos quais 132.048,37 foram recebidos nas últimas 24 horas, anunciou  a instituição.

Fonte: NM/EG

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