Política

Qatar quer investir em força em Angola

dd

O Presidente João Lourenço disse ontem, em Doha, que o Emir do Qatar, Sheikh Tamim bin Hamad Al-Thani, mostrou a maior abertura e vontade de incentivar os empresários qataris para desembarcarem em Angola com toda a força e investirem nos mais diferentes ramos da economia.

Falando num encontro com representantes da Câmara de Comércio e da Zona Franca do Qatar, o Chefe de Estado afirmou que o encontro com o Emir do Qatar e assinatura de vários acordos que se seguiu marcou o ponto mais alto da sua visita. A partir de agora, sublinhou, pensamos que a cooperação vai fluir mais facilmente para os investimentos do Qatar em Angola e de Angola no Qatar, que estarão melhor protegidos.
No sábado, o Chefe de Estado teve um jantar de trabalho com o vice-Primeiro-Ministro do Qatar, que considerou “bastante produtivo”. “Explicamos o que pretendemos com as relações entre os dois países”, sublinhou.
O Presidente da República considerou que a visita ao Qatar foi “muito importante”, porque os dois países mantêm relações diplomáticas há bastante tempo, mas só agora foi possível um Chefe de Estado de Angola efectuar uma visita oficial. O Qatar, disse, é um país importante não apenas na região, mas também no mundo.
“Um Estado que soube, de forma inteligente, utilizar os recursos do petróleo para o desenvolvimento económico e social do país e para o bem-estar da população. Por isso esperamos que as nossas relações económicas possam avançar daqui para frente”, sublinhou. João Lourenço explicou aos empresários que Angola conta com o investimento do Qatar em sectores como a agricultura e agro-pecuária, pelos recursos abundantes como água e bom clima, com a possibilidade de produzir também para a exportação. O Chefe de Estado apontou, também, o turismo como uma importante área a explorar, pelo facto de o Qatar ser bastante forte neste sector. No sector das infra-estruturas, o Presidente João Lourenço chamou a atenção para os portos, aeroportos e caminhos-de-ferro, investindo em novas áreas ou participando na gestão das existentes, através de concessão de exploração por várias décadas. Além dos já existentes portos de Luanda, Lobito e Namibe, os maiores do país, o Presidente da República informou que está em construção o porto de águas profundas de Cabinda.
Em relação aos caminhos-de-ferro, dos três existentes (Luanda, Benguela e Namibe), João Lourenço destacou o de Benguela, que liga a Zâmbia e a República Democrática do Congo ao Porto do Lobito. “Os dois países exploram minérios em grande quantidade, cuja via de exportação mais racional é pelo Porto do Lobito”, sublinhou.
“O investimento qatari é benvindo. Terá toda a protecção necessária para terem o retorno”, garantiu o Presidente João Lourenço, na presença dos ministros das Relações Exteriores, Manuel Augusto, das Finanças, Archer Mangueira, da Economia e Planeamento, Manuel Neto da Costa, dos Recursos Minerais e Petróleos, Diamantino Azevedo, dos Transportes, Ricardo de Abreu, da Saúde, Sílvia Lutucuta, e do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, Maria do Rosário Sambo. O Chefe de Estado destacou, igualmente, as medidas tomadas nos últimos dois anos para a facilitação dos investimentos com mais garantias de incentivos e certeza jurídica. Falou do combate à corrupção, a aprovação da Lei da Concorrência, que combate os monopólios e incentiva a livre concorrência. “Como resultado, o ambiente de negócios é cada vez melhor e vai melhorar dia após dia”, sublinhou o Chefe de Estado, informando que a AIPEX (Agência para o Investimento Privado e Promoção das Exportações) podia fornecer toda a informação que os empresários precisam para garantir o seu investimento em Angola.
João Lourenço referiu ainda que Angola, pela sua localização em África, com ligação para o Oceano Atlântico, pode servir para aquilo que os empresários do Qatar estão à procura, um ponto que sirva de centro de distribuição para outros países. Os empresários do Qatar manifestaram o interesse em visitar Angola, a fim de conhecerem melhor o país e as oportunidades de negócio.
O Presidente da República, que deixa hoje Doha, visitou ontem o Museu Naional, a Fundação Qatar, a sua Biblioteca e o Estádio Al Wakra, um dos que vai acolher o próximo Mundial de Futebol.

Ligação aérea entre Luanda e Doha a partir de 29 de Março do próximo ano

Angola e Qatar, dois países produtores de petróleo, assinaram ontem, no Palácio Real do Emir, em Doha, seis acordos de interesse comum, que marcam uma nova etapa de cooperação económica em diversos sectores.
Na presença do Presidente da República, João Lourenço, e do Sheik Tamim bin Hamad Al-Thani, Emir do Estado do Qatar, foi rubricado o acordo entre os Governos de Angola e do país árabe sobre “Promoção e Protecção Recíproca de Investimentos”, assente no desenvolvimento económico sustentável das partes.
Os dois países concordaram igualmente com o “Protocolo para o Estabelecimento de Mecanismos de Consultas Políticas”, para reforçar a cooperação entre os Estados na partilha e harmonização das posições sobre questões bilaterais, regionais, continentais e internacionais.
Com vista a consolidar e fortalecer a co-operação entre os dois Governos e facilitar a mobilidade dos seus cidadãos titulares de passaportes diplomáticos e de serviço, assinou-se o “Acordo de Supressão de Vistos em Passaportes Diplomáticos e Especial”, no domínio da “Marinha Mercante” e um outro de “Cooperação Económica, Comercial e Técnica”.
Este último, mais abrangente, visa criar as bases de cooperação económica, comercial e técnica entre os dois países nos sectores da Indústria, Minas, Energia, Agricultura, Comunicações, Transportes, Construção Civial, Trabalho e Turismo.
Entre os instrumentos assinados, destaca-se ainda o “Memorando de Entendimento entre a Empresa de Gestão de Portos do Qatar (Mwani) e o Instituto Marítimo Portuário de Angola (IMPA)” para a cooperação entre as entidades portuárias dos dois países e a respectiva gestão dos sistemas portuários.

Voo da Qatar Airways

O voo inaugural da companhia aérea Qatar Airways para Luanda acontece a 29 de Março de 2020, anunciou, ontem, em Doha, o ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu.
Segundo Ricardo de Abreu, a aeronave que vai fazer essa ligação será um Boeing Dreamliner 787, que é um avião da nova geração, que também vai dar todo o conforto aos passageiros.
A informação foi dada em primeira mão pelos gestores da Qatar Airways à delegação angolana, no quadro da visita do Presidente João Lourenço ao Qatar. O ministro desmentiu notícias que estão a circular no país sobre uma suposta tomada de participação por parte da Qatar Airways na TAAG.
Segundo Ricardo de Abreu, que considerou as notícias como falsas, existe o interesse de estabelecer mecanismos de cooperação e de interligação com a Qatar Airways, mas não está e nem esteve, ao longo desta visita ao Qatar ou noutra ocasião, qualquer negociação e nunca houve o propósito de o fazer.
Ricardo de Abreu reconhece que a TAAG está numa fase de reestruturação e modernização, que vai permitir criar as condições para se iniciar o processo de privatização da companhia, que, de acordo com o cronograma de privatizações aprovado pelo Conselho de Ministros, aponta para o ano de 2021. Nessa altura, explicou, “teremos as condições criadas para a privatização”.
“É um passo importante também para a nossa companhia e para todos nós e iremos identificar os parceiros mais adequados que apoiem a nossa companhia, o nosso país e os próprios accionistas, incluindo o Estado, na transformação da TAAG num importante operador do transporte aéreo a nível continental e mundial”, disse. Os Ministérios dos Transportes de Angola e do Qatar rubricaram, ontem, um acordo de cooperação no domínio marítimo e portuário.
Em relação ao Acordo de Cooperação no domínio Marítimo e Portuário, Ricardo de Abreu lembrou que o Ministério dos Transportes foi autorizado, por Decreto Presidencial, a lançar o concurso para a concessão dos terminais do Porto do Lobito (de carga geral e contentores e terminal mineraleiro), devendo, igualmente, haver uma abordagem em relação aos terminais do Porto de Luanda e outras oportunidades, quer em Cabinda como no Namibe.
Os empresários qataris, explicou, estão interessados em investir no país e contam com importantes parceiros no domínio da gestão portuária e marítima e por essa razão podem ser fortes candidatos a assumir a gestão de alguns terminais portuários.
O acordo vai permitir a navios do Qatar transportar gás LNG exportado por Angola a partir da fábrica do Soyo, na província do Zaire.

TPA com Angop/LD

PUBLICIDADE
voltar ao topo

o tempo