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Propaganda a bebidas alcoólicas "embriaga" a cidade de Luanda

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A publicidade a bebidas alcoólicas domina as principais avenidas e ruas da capital, com a cerveja a assumir o papel de destaque entre as bebidas anunciadas, deixando claro que as empresas do sector cervejeiro travam uma vigorosa batalha por este mercado de muitos milhões de consumidores.
Com a gigante aposta na publicitação de bebidas alcoólicas, nem sempre a lei que rege o sector é cumprida e a Associação Angolana dos Direitos do Consumidor (AADIC) está preocupada com o cenário actual, nomeadamente a utilização de locais proibidos.

O presidente da AADIC, Diógenes de Oliveira, em declarações ao Novo Jornal Online, lembra que compete ao Governo Provincial de Luanda a retirada das publicidades que chocam com o princípio da Legalidade, referindo que a associação já intercedeu junto do Ministério Público chamando a atenção para a necessidade de respeitar a lei.

Um das questões mais salientadas pela AADIC é a colocação de publicidade apelativa e apelando ao consumo de bebidas alcoólicas junto a estabelecimentos de ensino.
"Eles devem retirar estas publicidades danosas sob pena de responderem em tribunal", avisou, salientando que "há publicidade ao lado de escolas primárias, universidades, (...) hospitais e cemitérios, etc.".

Uma das questões focadas como argumento e justificação para a crescente ocupação de espaços urbanos com publicidade a bebidas com álcool é a visível "guerra" entre as várias marcas de cerveja que têm na publicidade "uma ferramenta importante na disputa por um mercado gigante que gera milhões de lucro e que, por isso, é muito agressivo a este nível".

Para o sociólogo Ernesto Amaral Finda, "as autoridades angolanas não adoptaram ainda uma política séria sobre o uso de bebidas alcoólicas de modo a preservar a saúde física e mental de consumidores e pessoas afectadas pela publicidade do produto, especialmente os mais jovens, onde estão as pessoas mais susceptíveis".

Segundo sociólogo, a nova Lei de Publicidade publicada em Diário da República a 13 de Março do ano passado, que proíbe na rádio ou na televisão qualquer publicidade a bebidas alcoólicas entre as 00:07 e as 21:00, não tem sido observada com regularidade.

No que toca à publicidade a bebidas alcoólicas, segundo a nossa fonte, "constata-se a existência da mesma a escassos metros das instituições de ensino, hospitais e próximos dos centros de caridade, cemitérios e igrejas".

"A nova Lei de Publicidade não tem força para travar a expansão de propaganda de bebidas alcoólicas em locais proibidos", frisou Ernesto Amaral Finda, alegando "a existência de uma verdadeira omissão por parte do Estado ao não cumprir com as disposições constitucionais e a regulamentação da publicidade de bebidas alcoólicas", adiantou.

O pastor da igreja Cristo Salvou o Mundo, António Lutoky, defende a restrição à publicidade de bebidas alcoólicas e sustenta que "isso é um imperativo porque o consumo do álcool está a devastar famílias inteiras".

"A publicidade de bebidas alcoólicas é um dos motivos com impacto no aumento do consumo de álcool", assinalou.

Pub instiga o consumo

Opinião idêntica tem o psicólogo Domingos Fonseca Mombi, que considera que o consumo excessivo é influenciado pela publicidade das marcas de bebidas alcoólicas.

"Hoje há países que proibiram a publicidade a bebidas alcoólicas na via pública. Nós também podemos fazer isso. Na cidade há pouca publicidade de outros produtos", frisou.

Para o ancião Carlos Kamia, "limitar a veiculação de propagandas de bebidas alcoólicas pode ser um dos caminhos para a prevenção do uso e abuso de álcool por adolescentes e não só", sustentou.
"Hoje a cidade de Luanda está embriagada com propaganda de bebidas alcoólicas.

Nas ruas ou principais avenidas existe pouca propaganda de outros produtos", acrescentou.
O economista Bernardo Samuel Guenji entende que "o marketing de bebidas alcoólicas é, actualmente, uma indústria que actua globalmente, tanto em países industrializados quanto naqueles em desenvolvimento".

"Todos produtores querem publicitar as suas marcas, mas é preciso respeitar a Lei de Publicidade em vigor no nosso País", alertou ao concluir o economista.

O estudante universitário Laurindo Fausto Tando também está preocupado com a expansão de publicidade em locais proibidos e dá um exemplo: "Junto à Clínica Multiperfil encontra-se um aglomerado de publicidades a bebidas alcoólicas apesar de a lei o proibir".

Um agente da polícia que não se quis identificar-se lamentou também a existência de publicidade junto das esquadras e unidades militares. "Próximo da escola superior da polícia na via expressa tem muita publicidade de bebidas alcoólicas, o que podia ser evitado", denunciou.

A dona de casa Maria Almeida, que mora no bairro, Calemba II, não compreende a existência da publicidade de bebidas junto da escola onde estuda o filho de 13 anos.

"Já alertamos a direcção da escola para tomar medidas, mas ninguém nos ouve", lamentou, receando que, com a exposição da publicidade, as crianças poderão ter a intenção de usar bebidas alcoólicas.
Quem lamenta também a situação é a zungueira Ana Malesso, que lembra que se vê muita publicidade a bebidas alcoólicas mas quase nada a advertir para os maus comportamentos das pessoas em Luanda, sobre a limpeza das ruas, a forma como melhor a gestão dos lixos, como evitar doenças...

Fonte: NJ/EG

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