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Operação para resgatar o país da desordem deixa Luanda em alvoroço

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Foto: Quintiliano dos Santos

Foto: Quintiliano dos Santos

A cidade de Luanda acordou hoje com a "Operação Resgate" a pairar sobre ela como uma sombra, apesar de as forças de segurança ainda não terem deixado os quartéis para ir resgatar o país da desordem, por volta das 06:00 estava claro qual o primeiro impacto desta iniciativa de reposição da lei e da ordem na capital do país: táxis parados e as cantinas de cidadãos oeste-africanos ilegais de portas fechadas.

A explicação, como o NJOnline constatou hoje, às primeiras horas do dia, quando os milhões de cidadãos se põem a caminho do trabalho, é que tanto os táxis (candongueiros) como os "malianos", mesmo que não estejam ilegais, sabem que vão ser dos principais alvos das forças policiais integradas na "Operação Resgate".

No táxi, os cidadãos, a esmagadora maioria dos habitantes de Luanda, vão para o trabalho, e nas cantinas dos "malianos" abastecem-se para o mata-bicho (pequeno-almoço), ou fazem as compras para o jantar da noite no regresso a casa após o trabalho.

Hoje, pelo menos durante a manhã, isso não vai acontecer com a mesma facilidade.

Como o NJOnline verificou em bairros como o Cazenga, Rangel, Kilamba KIaxi, etc;, é a pé que os cidadãos se estão a deslocar, e não é nas cantinas dos "malianos" que se estão a abastecer.

"Até parece que os táxis fizeram greve", disseram aos NJOnline vários cidadãos.
Mas não só: As casas de venda de peças de automóveis e lubrificantes, em bom número, não abriram.

Segundo a Rádio Luanda, o mercado de peças do golfe, registou na manhã desta segunda-feira a abertura de apenas uma loja, tendo o cidadão entrevistado garantido que os que não abriram estão a correr atrás dos documentos, o que, segundo ele, está difícil pelas voltas que os mesmos passam para os adquirir.

O NJOnline relata ainda que um grande número de lanchonetes ficaram fora de serviço e, os vendedores ambulantes, que palmilhavam as principais artérias da cidade desapareceram e não é fácil encontrar zungueiras na sua azáfama diária.

No entanto, como disse ao NJOnline o intendente Mateus Rodrigues, porta-voz do comando provincial da Polícia Nacional, a "Operação Resgate" só vai sair para as ruas do país depois de a Polícia Nacional, através de uma conferência de imprensa agendada para cerca das 10:00, explicar ao país, mais uma vez, os contornos e objectivos desta operação.

Para já, fica uma certeza, os receios de que esta iniciativa possa ferir os direitos e garantias de alguns sectores da sociedade, como o do comércio informal (zungueiras), segundo a Polícia Nacional, são infundados, porque os agentes que vão protagonizar esta operação, estão instruídos para não ferirem os direitos e garantias que o Estado de Direito lhes garante. Mas, se isso suceder, a PN disponibilizou um conjunto de números de telefone para onde os cidadãos, sob garantia de confidencialidade, podem fazer as suas denúncias face à ocorrência de maus tratos ou desrespeito da lei por parte dos elementos das autoridades: 931 69 99 99 ou 936 94 94 94, ou ainda 991 15 16 16, são alguns dos contactos telefónicos disponíveis.

O que pretende alcançar esta operação?

Na apresentação da "Operação Resgate", no passado dia 19 de Outubro, o comandante geral da Polícia Nacional (PN), comissário-geral Paulo de Almeida, afirmou que o objectivo desta acção policial é o de "repor a ordem, repor a autoridade", porque "temos visto na nossa sociedade, nos nossos centros urbanos, uma desordem, uma falta de autoridade, uma anarquia".

Dizendo tratar-se de uma operação de grande amplitude", Paulo de Almeida, explicou que o nome da iniciativa se devia à necessidade de resgatar "a autoridade do Estado, da ética, da ordem, da disciplina".
Já no dia 30, o ministro do Interior, durante uma conferência de imprensa para a apresentação formal da operação, declarou que a que a Polícia Nacional (PN) teria ordens para varrer o país, aplicando "mão pesada", no sentido de "acabar com as irregularidades existentes".

De acordo com o ministro, são várias as inquietações das autoridades, como "a ocupação dos espaços públicos para construção de residências casebres, lanchonetes ou instalações de mercados informais, ocupação ilegal de reservas fundiárias para construção desordenada de bairros, mercados informais, ou a existência de armazéns e oficinas ao longo dos principais eixos viários que têm influência negativa na circulação viária".

O quê pensam os cidadãos?

Em declarações à TPA Online, Isaura Kaley, funcionária pública, disse: “Esta operação é necessária para repor a ordem pública, porque desde que eu nasci, eu pensei que o país era assim, mas afinal é possível limpar esta imagem de desordem”.

A nossa entrevistada adiantou, que  por um lado, “o Executivo deve enquadrar as pessoas que trabalham na rua através da criação de espaço e desta forma controlar o tributo de cada um, e por outro reforçar as políticas de enquadramento desta classe”.

Já Freud Sebastião, comunicólogo, “a operação resgate podia ter um carácter pedagógico maior. Os órgãos de comunicação estariam mais envolvidos para não cairmos nesta onda de medo, terror. Da forma que se faz a sensibilização  quando o assunto é registo eleitoral, também podia se aplicar antes da implementação desta operação”.  

Esta operação surge depois da "Operação Transparência", programada para se manter, de forma faseada, até 2020, e que visa pôr fim ao garimpo ilegal de diamantes e à imigração ilegal nas províncias de Malanje, Lunda- Norte, Lunda-Sul, Bié, Moxico e Uíge, está a ser desenvolvida por efectivos da Polícia Nacional (PN) e das Forças Armadas Angolanas (FAA).


TPA com NJOnline e Rádio Luanda / EB

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