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Encarregados de educação acusam a ANEP de aumentar as propinas

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O Jornal de Angola percorreu ontem alguns colégios da capital, tendo constatado o aumento das propinas, o que deixou irritados muitos encarregados de educação, na sua maioria funcionários públicos.


Consideram injusta a medida unilateral tomada pela ANEP, que justifica o aumento das propinas à subida dos materiais escolares e outros no mercado. Para acabar com esta prática, solicitaram a intervenção dos Ministérios da Educação, Finanças e do Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (INADEC).
“Temos todos os anos estado a observar, com alguma preocupação, uma série de situações como pretexto para aumentar o preço das propinas, quando os salários da função pública se mantêm”, lamentam os encarregados de educação. 
Disseram ainda que o custo de vida afecta a todos, logo não é sensato que, cada ano que passa, os responsáveis da ANEP decidam aumentar de forma unilateral o preço das propinas. 
Por exemplo, no Colégio Dona Joaquina & Sumbe, localizado em Viana, o valor das inscrições, para um novo aluno, está fixado em 25 mil kwanzas. Propinas mensais para a 1ª e 2ª classes 29 mil kwanzas; 31 mil para a 5ª e 6ª; 34 mil para a 7ª e 8ª. Para as classes seguintes, 36 mil para a 9ª e 37 mil para a 10ª e 12ª classes. Os alunos com necessidades especiais pagam o valor adicional de mais 12 mil kwanzas.
No Joaquina & Sumbe, a direcção da escola remeteu-se ao silêncio quanto à subida dos preços das propinas. A tabela de preço acima referenciada é a do ano lectivo 2020, o que torna difícil fazer-se um paralelismo em relação aos valores cobrados no ano transacto. 
Uma encarregada, que pediu o anonimato, confimou a subida das propinas, mas reforçou que a grande anomalia está no custo do transporte escolar, que considera “uma autêntica roubalheira”.

“Não se compreende que um autocarro que faz a rota Joaquina & Sumbe até Luanda Sul cobre 19.500 kwanzas pela corrida. 
A distância é de apenas 800 metros ou menos, mas o valor que se paga é absurdo. O colégio está a escassos metros da Vila Chinesa, das famosas 500 casas e do Luanda Sul”, assinalou. 
Em relação à qualidade do ensino no Colégio Joaquina & Sumbe, Manuel Domingos, nome fictício, considerou bom, por haver professores capacitados e uma direcção exigente. Reconheceu que já foi um dos melhores a nível de Viana em tempos idos, mas foi superado por outras instituições. 
No colégio Real Século XXI, por sinal o das mais caras do município de Viana, logo à entrada, demo-nos com uma encarregada de educação. Margarida da Fonseca é mãe de dois filhos que vão frequentar a 10ª classe naquela instituição. “Não estou nada satisfeita, pois tenho de pagar, por duas crianças, 50 mil kwanzas só para a reconfirmação das matrículas”.
O pagamento mensal por cada criança é de 70 mil kwanzas, sem incluir o transporte, um valor que considera demasiado alto.

“Somos obrigados a fazer um grande esforço para desembolsar dinheiro todos os meses. Além disso, pagamos outros serviços e o uniforme escolar”. Na opinião de Margarida Fonseca, a subida de preços nas instituições de ensino privado não pode ter justificação no aumento dos materiais escolares e outros, como alega o presidente da ANEP. “O Governo não pode permitir que estas irregularidades prossigam, a inspecção deve actuar e levá-los à Justiça”. 
Domingas António, nome fictício, admite que há um aproveitamento em função da actual situação económica do país. Sublinhou que “nem sempre temos de nos basear na subida das coisas no mercado, quando até se sabe que os salários dos funcionários continuam os mesmos”. 


“Há pessoas que não têm onde tirar, porque dependem exclusivamente dos salários, que muitas vezes atrasa. O Colégio Real XXI é o mais caro de Viana. Os preços aqui praticados fogem muito da realidade dos outros”, lamentou.
No Colégio Nossa Senhora da Anunciação, afecta à Igreja Católica, também houve uma ligeira subida dos preços. Mariana Sebastião lembra que em 2019 a propina mensal do filho estava fixada em 24 mil kwanzas, mas este ano vai ter de desembolsar 27 mil. Segundo ela, as oscilações de preços que se registam em quase todas as instituições privadas, sobretudo em Luanda, pode fazer com que muitos desistam do ensino privado.
No Instituto Politécnico Bendizer e no Colégio Santa Ana há também subida de preços.

Catarina da Cruz, mãe com dois meninos no Colégio Santa Maria Goreth, no bairro Vila Alice, conta que foi obrigada a retirar os filhos da instituição, devido à subida repentina dos preços.
Por exemplo, frisou, no ano passado pagava por cada um 54 mil kwanzas por mês, incluindo o transporte, mas este ano as coisas alteraram-se. “Agora tinha de pagar 74 mil”. Insatisfeita com a explicação a justificação do colégio, recorreu ao INADEC, onde foi ouvida, mas não não se tomou qualquer medida. Aneth da Silva, mãe de uma estudante da 10ª classe do curso de Análises Clínicas no Instituto Técnico Privado Bendizer, disse que no ano passado pagava 13.300 kwanzas, mas agora vai desembolsar 14.630.

Fonte:JA/EG

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