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Covid-19: Aglomerados nas dependências do BPC violam medidas impostas

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Um flagrante de desrespeito às regras básicas de prevenção do Coronavírus foi observado ontem nos balcões do Banco de Poupança e Crédito (BPC), onde idosos do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) aglomeraram-se para levantar as suas pensões.

Além de não respeitarem a medida de isolamento social, por se tratar de uma camada vulnerável à contaminação por Covid-19, os idosos, como testemunhou a reportagem do Jornal de Angola, na sua maioria, não obedeciam à distância mínima recomendada, de um metro e meio, não usavam luvas nem máscaras de protecção e conversavam normalmente, sob o olhar sereno dos seguranças.
O cenário repetia-se em várias dependências do maior banco de capitais públicos do país. Por toda a cidade havia enchentes, com predominância para cidadãos acima dos 60 anos: Rangel, Vila Alice, bairro Kaponte, Rua Rainha Nginga (Ingombota), dependência Lara (ex-Avenida Brasil) e no Porto de Luanda.
Francisco João, 72 anos, já não conseguia manter-se de pé, de tão cansado que estava. Chegou à dependência do BPC da Mutamba por volta das 7h00. Até às 9h00, ainda não tinha sido atendido. De repente, teve uma tontura e quase caiu. Graças à bengala e às pessoas ao redor, não aconteceu o pior.
“É sempre assim. Vamos acabar todo o dia aqui e, ainda por cima, sem levar dinheiro. Estes senhores do banco não nos respeitam. Com a idade que tenho estão a mandar tratar o cartão Multicaixa nesta confusão”, lamenta, apontando para outra aglomeração ao lado, para adquirir o Multicaixa.
O que é dado a observar contradizem todas as medidas recomendadas pelo Ministério da Saúde. À porta da instituição, as pessoas estão em filas muito apertadas. Uns vão reclamando com os outros, sem qualquer preocupação com o vírus.
“Desde que chegamos, não estamos a ser atendidos. Estão a escolher. Vamos morrer de cansaço, debaixo deste sol. Queremos dinheiro para fazer compras. Não temos comida em casa”, disse Marcelina Zacarias, acrescentando que o que mais lhe preocupa, neste momento, é a fome e não o contágio.
Outros cidadãos aparentemente mais esclarecidos lamentam o facto de a direcção do BPC não organizar as pessoas em filas, à distância necessária, e não usarem o álcool gel para desinfectar as mãos logo à entrada, como acontece em alguns estabelecimentos que têm contacto directo com os cidadãos.
“Aqui as coisas estão mal. Estamos propensos a apanhar o vírus. Já não temos máscaras nem luvas. Pelo menos o gel, a agência deveria ter. Estão a entregar-nos papéis para preencher, sem luvas. Também podem nos transmitir a doença”, disse Augusto Lourenço.
Augusto Lourenço faz um apelo à direcção do BPC, no sentido de criar condições para que os idosos levantem as suas pensões em segurança. “Não pretendemos ficar aqui aglomerados. Precisamos que o BPC crie uma estratégia para levantarmos o nosso dinheiro sem enchentes, pelo menos nesta fase em que nos obrigam a evitar ficar todos no mesmo sítio. Eu e muitos aqui não temos sequer uma máscara, por falta de dinheiro”, desabafa.
Outro pensionista revela que as enchentes no BPC já são habituais, quando che-ga o final do mês. Lucrécia Mateus, 60 anos, diz estar por dentro do que está a acontecer no mundo, com a expansão do coronavírus. Mas não pode ser um subterfúgio do BPC para não atender os clientes.
“Sei que há uma epidemia que está a matar muita gente no mundo e que em Luanda já tem três casos. Ouvi a mi-nistra da Saúde a aconselhar para ficarmos em casa, mas precisamos ter comida para aguentar o tempo que vamos ficar em casa”, disse, para acrescentar: “não podemos morrer a fome”.
Funcionária culpa pensionista
Uma funcionária do balcão Lara, na ex-Avenida do Brasil, que não quis ser identificada, culpa os pensionistas pela confusão. “Os nossos mais velhos são teimosos. Não querem manter a calma. Estamos a pedir para não ficarem aglomerados, mas não nos ouvem”, disse a funcionária. Para justificar a confusão, afirma que só podem entrar duas pessoas de cada vez, já que a dependência está a funcionar com pessoal reduzido. “Eles não querem compreender, eis a razão desta confusão”, contou.

Fonte:JA/JS

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