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África Austral severamente afectada pela seca e a segurança alimentar posta em causa - Sul de Angola é uma das zonas de maior preocupação

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O aviso já tinha sido feito em meados de 2018 pela Organização Meteorológica Mundial e pelo Departamento de Alimentação, Agricultura e Recursos Naturais da SADC: A África Austral iria atravessar, de novo, dificuldades com a falta de chuva. O sul de Angola estava no mapa das preocupações. Agora, em plena época das chuvas, e quando as colheitas mais carecem da água vinda dos céus, os piores receios confirmaram-se.

As províncias do sul de Angola vivem há anos em permanente escassez de chuva, com mais de 700 mil pessoas, incluindo cerca de 400 mil crianças, em risco e a precisar de assistência permanente, como as agências das Nações Unidas têm sublinhado em repetidos relatórios, mas, nos últimos meses, o problema ganhou dimensão regional e uma vasta área da África Austral entrou na zona de risco severo no que diz respeito à segurança alimentar das populações.

Segundo um relatório recente da UNOCHA, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação das Emergências Humanitárias, entre Outubro de 2018 e meados deste mês, as chuvas ficaram "muito abaixo do que é normal" em vastas áreas de Angola, Zâmbia, Zimbabué, norte da Namíbia, sul de Moçambique e ainda no Botsuana, Madagáscar e na África do Sul.

Estes países, onde se juntam ainda o Lesoto e a Tanzânia, receberam, em média, nas regiões afectadas, menos de 75 por cento do que é normal em matéria de pluviosidade, apesar de algumas melhorias na parte final de Dezembro e princípio deste ano, sendo que algumas áreas foram assoladas por intensas chuvas, sendo que também esta situação é considerada pelos especialistas como anormal, causando mesmo inundações em países como o Malawi ou no norte de Moçambique.

Ainda de acordo com a informação distribuída pelo UNOCHA, Angola, que está este ano a registar uma pluviosidade abaixo do normal em todo o território, provocando atrasos nas culturas que podem criar problemas em várias províncias no que diz respeito à segurança alimentar das populações, no sul registou uma acrescida preocupação devido ao acumular da falta de chuva com temperaturas bastante acima do normal, especialmente entre Outubro e Dezembro de 2018, o que provocou a destruição de algumas culturas essenciais, como o milho, entre outras.

O gado, essencial para as populações das províncias mais a sul em Angola, está igualmente a ser severamente fustigado pela falta de chuva e, por essa razão, pela escassez de alimento natural.

A este cenário, junta-se a possibilidade de as chuvas permanecerem escassas, segundo as previsões meteorológicas, e ainda a permanência de temperaturas anormalmente elevadas, pelo menos até ao mês de Março, o que poderá aumentar de forma significativa o stresse das culturas e, em algumas regiões, colocando mesmo em causa as colheitas.

Resposta no sul de Angola

Para analisar o problema que se vive no sul de Angola, uma missão governamental liderada pelo ministro da Administração do Território e Reforma do Estado, Adão de Almeida, chegou esta semana ao Cunene, devendo ser criado um grupo de trabalho para propor soluções alargadas para este problema que tem evoluído para a condições de crónico.

Adão de Almeida fez saber que o Presidente João Lourenço está preocupado com este problema e que este já disse que vai criar condições para que sejam implementadas "algumas soluções rápidas" enquanto são preparadas respostas de maior envergadura e sustentáveis para que no futuro a seca seja menos dramática.

Para além do Cunene, também o Namibe, a Huíla e o Kuando Kubango, sofrem ciclicamente com a falta de chuva, que afecta a vida a mais de 700 mil pessoas, incluindo 400 mil crianças, que, nalguns casos, impõem a intervenção de emergência, tanto das unidades sanitárias nacionais como das agências da ONU.

A abertura de pontos de água, poços artificiais, a reparação de equipamentos de extracção de água, e a criação de postos médicos nas áreas afectadas mais deslocadas, são algumas das medidas criadas nos últimos anos para combater a falta de chuvas e as suas consequências.

A falta de chuva no sul de Angola, tal como quase em todos os países da África Austral, resulta do impacto de fenómenos meteorológicos bem conhecidos, como El Niño e La Niña, cujas causas são igualmente bem conhecidas: as alterações climáticas provocadas pela emissão de gases poluentes, na maior parte pela queima de combustíveis fósseis (hidrocarbonetos).

Aviso estava dado

O fenómeno meteorológico que ajudou a que a África Austral, nos últimos anos, sofresse uma das mais severas secas do último século, com o sul de Angola claramente no mapa das zonas afectadas, já estava anunciado desde meados de 2018, pela Organização Meteorológica Mundial (OMM).

A OMM, agência da ONU para as questões meteorológicas, criada em 1950 e que reúne alguns dos mais respeitados meteorologistas dos 191 países que a compõem, analisou os dados actuais do clima planetário e concluiu existir uma probabilidade de 70 por cento para que as consequências do El Niño se voltem a fazer sentir a partir de finais de 2018 e nos primeiros meses de 2019.

O El Niño é resultado do aquecimento das águas do Oceano Pacífico que, por sua vez, geram correntes quentes que se dirigem para vários pontos do globo, alterando a direcção dos ventos e gerando, na sua passagem, fenómenos localizados de intensas secas, como é, usualmente, o caso da África Austral, mas também de chuvas intensas, com cheias e tempestades destruidoras.

Em alguns países do sul do continente africano, este fenómeno meteorológico produziu uma das mais dramáticas secas em mais de um século, como é o caso da África do Sul, com a destruição da agricultura local, a falta de água em cidades como Cape Town, mas também nos vizinhos Namíbia, Botsuana, Moçambique e no sul de Angola, obrigando os governos respectivos a criar programas de ajuda extraordinários ou a declarar o estado de emergência.

No sul de Angola, como o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários, também por causa das alterações climáticas e, muto em especial, do El Niño, tem divulgado, existem mais de 750 mil pessoas com carências alimentares, de água potável ou por causa de doenças favorecidas por situações de penúria, com cerca de 400 mil crianças a necessitar de ajuda permanente, incluindo dezenas de milhar em situação de emergência.

Apesar de nos últimos meses a situação ter melhorado em toda a extensão sul do continente africano, de acordo com o mais recente estudo da OMM, a partir de Outubro estava previsto um agravamento da situação.

Fonte: NJ/EG

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