Internacional

Sucessivas crises põem em causa eventual recandidatura de Buhari

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Atentados e ataques terroristas, frequente falta de combustíveis, violência ligada à propriedade das terras e instabilidade no sudoeste da Nigéria são algumas das sucessivas crises que estão a pôr em causa uma eventual recandidatura do presidente Muhammad Buhari.

Segundo o site informativo Bloomberg, a mais recente crise surgiu a 01 deste mês, quando alegados membros do grupo terrorista islâmico Boko Haram assassinaram três funcionários humanitários das Nações Unidas e oito soldados, num ataque nem Rann, nordeste do país, na mesma região em que, duas semanas antes, foram raptadas mais de 100 raparigas entre os 11 e os 19 anos.

As acções do Boko Haram acabaram por minar a reivindicação governamental, que insistia na ideia de que este grupo terrorista estava "tecnicamente derrotado", lembra a Bloomberg, alertando para os perigos de convulsões militares na já fustigada África Ocidental.

Apesar de Buhari, 75 anos, ainda não ter dado indicações quanto a uma recandidatura, o partido que lidera, o Congresso de Todos os Progressistas (APC), tem-no apoiado nessa ideia. Buhari, aliás, conta ainda com alguma popularidade na região de onde é natural e que constitui a sua base política, situada no norte muçulmano, onde os problemas com o terrorismo e com extremismos islâmicos são constantes.

No entanto, muitos lembram que, em 2017, o presidente passou cinco meses em Londres, em tratamento médico a uma doença ainda por revelar, situação agravada pelo facto de a coligação que o apoia começar a dar sinais de enfraquecimento.

Depois de uma visita aos cinco Estados nigerianos mais afectados pela violência, realizada ao longo da semana passada, Buhari decidiu reforçar a segurança nessas regiões para baixar a tensão. "Todos pudemos testemunhar os inimagináveis actos de violência cometidos este ano", sublinhou o presidente.

Um aspecto positivo para si é o facto de o opositor Partido Democrático Popular (PDP) ainda não ter conseguido recuperar da derrota eleitoral de 2015, o que tem inviabilizado, internamente, o surgimento de alternativas. Também no lado positivo e apesar da frequente falta de combustíveis no país, a economia de um dos principais países exportadores de petróleo em África tem melhorado ligeiramente.

"Se decidir recandidatar-se, Buhari será o principal candidato", opinou Amaka Anku, directora para África do Grupo Eurásia, com sede em Washington, destacando que o presidente nigeriano terá de manter a coligação das forças políticas que criaram a APC e que o levou a derrotar Goodluck Jonathan, nas presidenciais de 2015.

De qualquer forma, alertou, os recentes raptos de raparigas voltaram a ser a notícia principal no país e não seria a primeira vez que o Boko Haram teria uma influência decisiva em eleições no país. Amaka Anku sustentou que, em Abril de 2014, o Boko Haram raptou 276 raparigas, em Chibok, no nordeste do país, abriram-se "brechas" na presidência de Jonathan, que nunca foram fechadas, dando espaço para Buhari.

Segunda-feira, Buhari indicou que, para já, privilegia o diálogo com o movimento extremista, para libertar as mais de uma centena de raparigas em poder do Boko Haram.
Antigo comandante militar na década de 1980, Buhari prometeu acabar com o Boko Haram nos meses que se seguiram ao início do mandato e, sob as suas ordens, as tropas nigerianas foram conseguindo importantes avanços, obrigando os insurgentes a largar os territórios ocupados. As incursões do Boko Haram, porém, não cessaram.

Outros problemas de Buhari também vêm do lado do antigo presidente Olusegun Obasanjo, que o apoiou nas eleições de 2015, mas que, em Janeiro deste ano, escreveu uma "carta aberta" a apelar ao actual chefe de Estado que não se recandidate e a acusá-lo de nepotismo e de incompetência na gestão económica do país.

Fonte: Angop/MP

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