Internacional

Julgamento de brasileiros detidos por tráfico de droga começa hoje

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O julgamento dos quatro tripulantes do veleiro apreendido em Cabo Verde no ano passado com mais de uma tonelada de cocaína, proveniente do Brasil, começa hoje (segunda-feira), no tribunal da comarca da ilha de São Vicente.

Em Agosto do ano passado, a Polícia Judiciária (PJ) de Cabo Verde apreendeu 1.157 quilos de cocaína num iate atracado no Porto Grande do Mindelo, na ilha de São Vicente, que chegou do Brasil e tinha como destino a Europa. A droga estava escondida no casco da embarcação e distribuída em 1.063 pacotes e, durante a "Operação Zorro", foram detidos quatro homens.

O juiz decretou prisão preventiva para os dois que se encontravam no veleiro - um francês, o capitão, e um brasileiro - e Termos de Identidade e Residência (TIR) para dois brasileiros que estavam hospedados numa pensão, onde foram encontrados haxixe e canabis.

Em Dezembro, o Ministério Público deduziu acusação contra os quatro tripulantes do veleiro pela prática dos crimes de tráfico de droga de alto risco agravado e de associação criminosa. Na mesma altura, o Tribunal da Relação de Barlavento deu provimento a um recurso do Ministério Público (MP), que discordou da decisão do tribunal de deixar dois dos arguidos em liberdade, e determinou sua prisão preventiva até ao julgamento.

João do Rosário, um dos advogados de defesa dos arguidos, disse à agência Lusa que espera um "julgamento justo", reafirmando a inocência dos seus constituintes. O julgamento vai arrancar após familiares e amigos se terem desdobrado nos últimos meses em apelos nas redes sociais e na imprensa para a libertação dos brasileiros, dizendo que são inocentes e justificando que foram usados "por uma quadrilha internacional".

Um dos apelos está num abaixo-assinado na Internet, que já conta com cerca de 16 mil assinaturas e o objectivo é chegar às 25 mil subscrições para serem entregues às autoridades cabo-verdianas. O Ministério da Justiça do Brasil entregou um relatório da Polícia Federal Brasileira ao Ministério Público cabo-verdiano onde consta que não foram encontrados nenhum indício de participação da tripulação no tráfico da droga, pelo que arquivou o processo e considerou que os arguidos já deveriam estar soltos.

João do Rosário disse que é um "elemento de prova muito importante" e um "documento decisivo" que será juntado a muitos outros para tentar provar a inocência dos arguidos.
Os 1.157 quilos de cocaína, que foram queimados uma semana após a apreensão, foram a maior quantidade de droga apreendida na ilha de São Vicente, depois dos 521 quilos no caso Perla Negra, em Novembro de 2014, numas das praias da ilha.

Foi a segunda maior quantidade alguma vez apreendida em Cabo Verde, após a operação "Lancha Voadora" que, em 2011, culminou com a apreensão de uma tonelada e meia de cocaína em estado de elevada pureza escondida na cave de um prédio na cidade da Praia.

Fonte: Angop/MP

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