Internacional

Jornalistas guineenses manifestam-se diante da ONU contra assassínio de Khashoggi

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Um grupo de jornalistas guineenses manifestou hoje diante da sede das Nações Unidas em Bissau o seu repúdio pelo assassínio do colega saudita Jamal Khashoggi, no consulado do seu país na Turquia, pedindo um rigoroso inquérito.

Indira Baldé, presidente do sindicato de jornalistas e técnicos da comunicação social (Sinjotecs) da Guiné-Bissau, promotor da iniciativa, entregou uma petição a chefe do departamento dos direitos humanos no escritório da ONU em Bissau, Mireya Guzman, exigindo um inquérito rigoroso para que os autores do assassínio de Jamal Khashoggi sejam levados à justiça.

A petição dos jornalistas guineenses reclama ainda a criação de mecanismos de proteção para os profissionais em todos os Estados do mundo, assinalou a líder do Sinjotecs.

"Temos que lutar pelos direitos humanos, pela liberdade de imprensa", defendeu Indira Baldé, realçando que cada vez mais há relatos de atentados à integridade dos jornalistas "que trabalham em temas considerados tabu".

A presidente do Sinjotecs lamentou o facto de serem poucos os casos de atentados à integridade dos jornalistas que são tratados pela justiça.

Indira Baldé assinalou que os jornalistas "não fazem mais do que contribuir para um mundo livre e justo”.

Mireya Guzman, chefe do departamento dos direitos humanos nos escritórios da ONU em Bissau, prometeu transmitir a preocupação dos jornalistas guineenses ao representante do secretário-geral no país, o brasileiro José Viegas Filho.

A responsável da ONU felicitou os jornalistas guineenses pelo gesto solidário em relação ao colega assassinado na Turquia.

"Congratulamo-nos em saber que o vosso sindicato é muito organizado e solidário com os outros elementos da vossa classe", enfatizou Guzman, lembrando que a ONU elege como pilares da sua atuação os direitos humanos, a paz, a segurança e o desenvolvimento dos países.

O Ministério Público turco declarou recentemente que Jamal Khashoggi, de 59 anos, foi estrangulado e posteriormente desmembrado no consulado saudita em Istambul, no dia 02 de outubro, onde tinha entrado para obter um documento para se casar com uma cidadã turca.

O jornalista era esperado no consulado por um comando de 15 agentes sauditas que viajaram para a cidade turca algumas horas antes e regressaram à Arábia Saudita naquela mesma noite.

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, assegurou recentemente numa coluna publicada no jornal americano The Washington Post que está certo de que a ordem para matar o jornalista dissidente surgiu "do mais alto nível" do poder da Arábia Saudita.

O jornalista saudita, que colaborava com o jornal The Washington Post, estava exilado nos Estados Unidos desde 2017 e era um reconhecido crítico do poder em Riade.

A Arábia Saudita admitiu que Jamal Khashoggi foi morto nas instalações do consulado saudita em Istambul, depois de, durante vários dias, as autoridades de Riade terem afirmado que saíra vivo do consulado.
Fonte: LUSA/NM/AF

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