Internacional

Falta de democracia na Alemanha de Leste explica movimentos populistas

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"A falta de uma sociedade civil durante praticamente todo o século passado pode contribuir para o sucesso dos movimentos e partidos populistas na Alemanha de Leste", disse o investigador do centro Leibniz de História Contemporânea de Potsdam, em declarações à agência Lusa a propósito dos 30 anos da queda do muro de Berlim.
Depois de vários anos sob o regime fascista de Adolf Hitler, a Alemanha de Leste ficou, a partir de 1949, submetida a um regime socialista controlado pela então União Soviética.
A ausência de democracia pode ajudar a explicar a ascensão de partidos de extrema-direita, como o Alternativa para a Alemanha (AfD), que tem vindo a somar votos nas últimas eleições nas regiões da antiga República Democrática Alemã (RDA).
No entanto, aponta o especialista, "esta não é a única razão".
"As dificuldades no processo de transformação nos últimos 30 anos, com a falta de representantes da Alemanha oriental na Alemanha reunificada e o desemprego em massa também contribuem para isso", acrescenta.


Hanno Hochmuth acredita que este não é um problema geracional, já que "mentalidades e atitudes antiliberais também são comuns nos jovens de leste, especialmente nos homens que sofrem uma masculinização demográfica, porque muitas mulheres foram viver para a Alemanha ocidental".
Trinta anos depois da queda do muro de Berlim, o historiador não nega que o período de 28 anos de divisão física foi muito mau, mas reconhece-lhe um aspeto positivo.
"O muro de Berlim foi mau porque causou, pelo menos, 140 mortes. Apesar disso, estabilizou de certa forma a situação em Berlim, deixando claro que os soviéticos não tentariam impor o seu poder em toda a cidade. Ironicamente o muro trouxe estabilidade a Berlim ocidental", sublinha.


A construção do muro, a 13 de agosto de 1961, tinha como objetivo travar a fuga massiva de cidadãos da antiga RDA a qualquer custo.
"Isso significou implementar uma fronteira mortal de 156 quilómetros à volta de Berlim ocidental, mas também impor um controlo sistemático dentro do próprio território. A construção do muro, principalmente no centro da cidade, foi um grande desafio para o partido comunista e mantê-lo durante 28 anos ainda mais", frisa o investigador de Potsdam.
Se erguer um muro apanhou todos de surpresa, fazê-lo cair foi ainda mais imprevisível, sem serem necessários "jogos de bastidores".
"A queda foi causada por uma conferência de imprensa pública, quando Günter Schabowski, porta-voz do partido Comunista da RDA, usou a palavra imediatamente. Os berlinenses de leste interpretaram estas palavras literalmente e foram imediatamente para a fronteira", recorda o investigador.
A 09 de novembro de 1989, a conferência de imprensa sobre as novas diretivas de mobilidade começou às 18:00.


A pergunta de um jornalista italiano acabou por arrancar, quase uma hora depois, as declarações que mudariam a história.
Schabowski, com um discurso intermitente de poucas certezas, acabaria por dizer que a partir desse momento os cidadãos da RDA poderiam circular livremente.
A ideia era que o fizessem com restrições e de uma forma moderada, mas isso não aconteceu.


Pouco depois das 19:00 já as primeiras pessoas do lado leste chegavam à Bornholmer Strasse, no norte de Berlim, pedindo para atravessar a fronteira. Primeiro a pé, mais tarde somaram-se as longas filas de "Trabants" (os carros usados na RDA).
Este posto de controle foi o primeiro a ser aberto, ditando a queda do muro de Berlim. Começou então o processo de união entre as duas Alemanhas, RDA e República Federal da Alemanha (RFA) que se concretizaria definitivamente quase um ano depois, a 03 de outubro de 1990.

Fonte:NM/EG

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