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Dia Mundial da Fisioterapia: A profissão que recupera o corpo (e a mente)

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"Arrisco-me a dizer que qualquer pessoa independentemente da condição física e da idade, pode e deveria beneficiar das terapias que a fisioterapia oferece. No entanto, infelizmente atuamos mais na doença do que na prevenção, logo a maioria dos pacientes é portadora de condições funcionais limitadas", alerta a fisioterapeuta Sofia Cardante, naquele que é o dia dedicado a esta especialidade.

Para Sofia Cardante, mais do que uma profissão a fisioterapia pode de facto mudar a vida das pessoas, tornando-as novamente capazes e ativas, e fazendo, consequentemente, com que reencontrem a sua autoestima. 

"Existem pessoas que se isolam em casa com medo e vergonha da sua condição clínica incapacitada", refere. 

Quanto aos grandes desafios que a profissão apresenta, a especialista acredita que se prendem "essencialmente com a dificuldade em trabalhar mais na prevenção e menos na doença. Em ultrapassar a resistência clínica à prescrição da fisioterapia o mais precocemente possível e em todos os casos. E ainda na dificuldade inexplicável de constituir uma ordem de fisioterapeutas que nos possa proteger, e representar tal como a maior parte das áreas clínicas".

No Dia Mundial do Fisioterapeuta descubra mais sobre esta profissão e o seu impacto na vida dos doentes na entrevista abaixo. 

A fisioterapia consegue mudar a vida de muitas pessoas que se encontravam completamente dependentes

Pode explicar aos nossos leitores no que consiste a prática da fisioterapia?

A prática da fisioterapia consiste em aplicar técnicas de mobilização de tecidos moles (massagens); mobilização articular; treino proprioceptivo e de coordenação; treino funcional (primeiro em contexto clínico, depois em contexto real); treino de marcha com ou sem auxiliares; hidroterapia (trabalho funcional dentro de água); cinesioterapia respiratória (essencialmente nas condições cardiopulmonares); aulas de grupo; trabalho na comunidade; e de reabilitação no domicílio.

Existem vários tipos de fisioterapia?

Podemos considerar que existem várias subespecialidades dentro da fisioterapia, tais como a fisioterapia cardiorrespiratória, neurológica, dermatofuncional, uroginecológica, músculo-esquelética, desportiva e traumatológica e vestibulocóclear. 

Quais os pacientes e pessoas em geral que beneficiam destas terapias?

Arrisco-me a dizer que qualquer pessoa, independentemente da condição física e da idade, pode e deveria beneficiar das terapias que a fisioterapia oferece. No entanto, infelizmente, atuamos mais na doença do que na prevenção, logo a maioria dos pacientes é portadora de condições funcionais limitadas. Podemos atuar na população pediátrica, geriátrica e em atletas de alto rendimento. Recebemos desde bebés a idosos, podendo estes apresentar condições clínicas mais simples, como uma contratura a amputados de membros, pacientes com 85% do corpo queimado - com queimaduras de 3º grau - ou acidentados politraumatizados.

É possível mudar a vida dos pacientes?

Sim. Contrariamente às afirmações dos 'críticos', a fisioterapia consegue mudar positivamente/funcionalmente a vida de muitas pessoas que se encontravam completamente dependentes para realizar tarefas diárias e de higiene pessoal, e com o apoio da fisioterapia se tornaram auto-suficientes, aumentando assim a sua participação em contexto familiar e social.

Como profissional considera que se trata de um tratamento físico, mas com componente de apoio mental?

O tratamento físico é inerente à componente mental. Podemos aplicar as melhores e as mais variadas técnicas a um paciente, no entanto, se ele próprio não acreditar na recuperação e se negar a seguir as nossas indicações, é meio caminho para que o objetivo final não seja alcançado. 

Qual é o impacto das lesões nos pacientes que vê?

O impacto depende da severidade das lesões, pode implicar uma marcha mais lentificada e anteriorizada, até ao paciente que pode usar material de órtese ou ortótese, mas que continua a ter uma vida normal, ou o paciente que não consegue sair do leito. Existem pessoas que se isolam em casa com medo/vergonha da sua condição clínica.

Como escolheu esta profissão?

Penso que foi ela que me escolheu a mim [risos], pois sempre estive ligada ao desporto e pretendia seguir essa área. A pedido de uma amiga, que necessitava de companhia nas viagens para dividir despesas, tirei o curso de auxiliar de fisioterapia. Inicialmente um pouco desmotivada e por curiosidade. Como pretendia perceber na prática até onde me levava aquela formação, aceitei um trabalho numa clínica em Vila Nova de Gaia como auxiliar de uma técnica de fisioterapia, mas mais tarde percebi que aquele trabalho não era o que eu procurava e decidi inscrever-me em Neurofisiologia.

Sempre a trabalhar, completei a licenciatura em neurofisiologia, mas sem possibilidade de colocação na área e de poder económico para investir em mais formações específicas (pois tinha de pagar o empréstimo feito para estudar) e continuei a trabalhar como técnica, mas aí já me encontrava a trabalhar no Hospital Lusíadas. Tendo uma curiosidade inata e vontade de subir na carreira, decidi mais uma vez, cometer a 'loucura' de conciliar os estudos com o trabalho e voltar à faculdade, acabando por me licenciar em fisioterapia.

O fisioterapeuta tem uma missão?

Penso que todos, independentemente da área, temos uma missão a seguir. No caso do fisioterapeuta a missão baseia-se na restituição do bem-estar e qualidade de vida da pessoa na comunidade.

É necessário ter um determinado perfil psicológico para ser fisioterapeuta?

Na minha opinião todas as profissões exigem um perfil psicológico ou um código de ética e deontologia, essencialmente nos dias de hoje em que as pressões e exigências laborais são grandes. No caso do fisioterapeuta é importante que tenha competência para trabalhar em equipa, seja empenhado no exercer das suas funções de forma ética, sociável, empático, criativo e com capacidade criativa.

Quais são para si as maiores dificuldades e desafios da profissão?

As maiores dificuldades e desafios nesta profissão prendem-se essencialmente com a dificuldade em trabalhar mais na prevenção e menos na doença. Em ultrapassar a resistência clínica à prescrição da fisioterapia o mais precocemente possível e em todos os casos. E ainda na dificuldade inexplicável de constituir uma ordem de fisioterapeutas que nos possa proteger e representar tal como a maior parte das áreas clínicas.

Recorda-se de um caso em especial que a tenha marcado?

Todos os pacientes acabam sempre por nos marcar, pois em média realizamos cerca de 10 sessões de fisioterapia por dia, no mínimo, o que nos permite criar empatia com os mesmos. Há um caso em particular que me marcou de uma bebé de oito meses com um torcicolo congénito, pela evolução positiva da sua condição clínica, bem como pela empatia que foi criada com a bebé e com a família que a acompanhava.

Que conselho daria a alguém que estivesse a iniciar a profissão de fisioterapeuta?

Aconselharia a esses colegas que procurassem e se dedicassem a uma subespecialidade dentro da fisioterapia que os motivasse. Cada vez mais, e com o avançar da ciência e da medicina, verificamos uma progressão ilimitada dentro de cada subespecialidade e são necessários bons especialistas, com paixão

Fonte: Lifestyle ao minuto/BA

 

 

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