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COP25: Ambição é palavra chave para organizações ambientalistas

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Ambição é palavra chave para a cimeira do clima da ONU que começa na segunda-feira na visão de organizações ambientalistas ouvidas pela Lusa, que defendem compromissos mais fortes das nações para evitar cenários catastróficos das alterações climáticas.

Para a associação ambientalista Zero, há "uma perigosa falta de ambição climática" e um "fracasso dos governos em abordar as ligações inerentes entre justiça social, ecológica e climática".

A Zero defende que, na 25.ª Conferência das Partes (COP25) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, os países devem concentrar-se nas perdas e danos que algumas nações já sofrem por causa dos fenómenos climáticos extremos", que afetam "milhões de pessoas que são as menos responsáveis por causar a crise que estão a encontrar nas suas vidas".

"A COP25 oferece aos governos a oportunidade perfeita para elaborar e particularizar (em detalhe) os seus planos para aumentar a ambição nacional climática até 2020", que deve manifestar-se no cumprimento de 100 mil milhões de dólares até e anualmente após 2020" para o Fundo Verde para o Clima

Quanto a Portugal, consideram que "o legítimo anúncio da ambição não deve esconder incoerências e insuficiências", frisando que a participação do primeiro-ministro, António Costa, num grupo seleto de países que vai intervir na cerimónia de abertura no dia 02 de dezembro, é uma oportunidade para afirmar Portugal como "um país ambicioso nas suas políticas climáticas".

"É preciso acelerar o ritmo de implementação das políticas climáticas, antecipar objetivos e ser coerente nas ações para salvar o planeta de um aquecimento global excessivo", defende a Zero, que contrapõe sinais contraditórios como o avanço da exploração de gás natural na zona de Leiria

"A Zero apela ao governo, em particular ao ministro das Finanças e em sede de Orçamento do Estado para 2020, para se comprometer com pelo menos a duplicação das contribuições de Portugal (relativamente aos anteriores 2,68 milhões), a que se podem acrescentar contribuições privadas, de modo a que, por português, se atinja pelo menos um euro de contribuição anual", indica a Zero.

Para a associação, "o mundo precisa mais uma vez da liderança da União Europeia, mas também de Portugal, para apoiar o momento global que pode proporcionar as reduções de emissões necessárias que correspondem ao imperativo científico e à garantia de um futuro seguro do planeta".

O presidente da Quercus, Paulo do Carmo, disse, por sua vez, à agência Lusa que sucesso seria ver "anunciadas mais medidas no sentido de aliviar as alterações climáticas e a responsabilidade dos países", destacando a aplicação de sanções às nações que não cumprissem os seus compromissos.

"A próxima COP devia prever medidas sancionatórias para os países que não cumprem o que prometem, como já existem em casos de direitos humanos. Agora, a quem não cumpre não acontece nada", criticou.

"A COP é o mais importante encontro mundial para as políticas na área do ambiente. São um ponto de encontro para a discussão, decisão e execução, mas a execução não tem sido feita por alguns países, nomeadamente os Estados Unidos da América, que anunciaram que se vão retirar do encontro de Paris", observou.

Nações Unidas e União Europeia são atualmente os dois principais líderes no combate às alterações climáticas e isso "é um sinal muito positivo e um forte exemplo para outros países", necessário porque, "apesar de já haver países a descarbonizar, a procura do petróleo ainda não diminuiu", referiu.

Paulo do Carmo considerou que "os movimentos da sociedade civil", que acompanham a COP25 com uma cimeira social paralela e uma manifestação do movimento grevista climático no dia 06 em Madrid são "uma forma importante de reforçar a pressão junto do poder local".

"Eles são os vindouros e as alterações climáticas e o ambiente estão no centro das preocupações de todas as pessoas", argumentou, referindo que isso é "mais uma evidência dos resultados dos estudos de milhares de cientistas".

Greta Thunberg, a ativista sueca que tem sido o rosto das greves climáticas estudantis desde o ano passado e que passará por Lisboa a caminho de Madrid, é exemplo disso, considerou.

Pela Plataforma Salvar o Clima, que espera levar cerca de 200 ativistas até Madrid, o sucesso seria nada menos que "uma revolução no sistema político e ambiental que pense na sustentabilidade".

O ativista Noah Zino, que estará na comitiva que vai seguir para a capital espanhola "de autocarro ou de comboio", conforme a opção ideológica, reconheceu em declarações à Lusa que "há demasiados obstáculos económicos e políticos, demasiada influência dos lóbis petrolíferos e demasiada vontade de manter tudo como está, rumo à catástrofe".

De 02 a 13 de dezembro, os coletivos ambientalistas como a Salvar o Clima, que na sua "Operação Madrid" inclui membros do Bloco de Esquerda, SOS Racismo, Oikos, PAN, Zero ou Climáximo, vão apostar numa "contra-cimeira" em que o foco estará na "justiça climática".

Do manifesto da plataforma constam propostas que "não são partilhadas pelos governos", destacando-se a necessidade de chegar à neutralidade carbónica [não emitir mais do que as florestas e oceanos sejam capazes de absorver "muito rapidamente", o que implicaria "a remodelação total dos transportes públicos, porque num mundo neutro, o transporte privado tem que desaparecer, tal como o investimento na pecuária extensiva e insustentável".

Noah Zino lamentou que, "mais uma vez", a discussão esteja sediada num país do "norte global", quando os países mais afetados estão no hemisfério sul.

A COP25 realiza-se em Madrid, mas a presidência do encontro é do Chile, anfitrião original cujo clima de contestação social levou à mudança de local para a capital espanhola.

Fonte: NM/AF

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