Economia

Cidades de Luanda, Soyo e Cabinda estarão ligadas por Catamarã

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Doca do Kapossoca

Foto: Francisco Miúdo (Angop)

Doca do Kapossoca

Foto: Francisco Miúdo (Angop)

A Secil Marítima poderá lançar, ainda este ano, o serviço de transporte de passageiros, com embarcações do tipo catamarã, na rota Luanda, Soyo e Cabinda, anunciou hoje o seu administrador financeiro, João Martins.

Entrevistado pela Angop, a propósito da extinção da TMA Express, empresa que geria os catamarãs em Luanda, o gestor referiu que o inicio das operações da rota inter-provincial está dependente da conclusão do projecto de reabilitação e construção de terminais de passageiros no Soyo e Cabinda.

Enquanto se aguarda pela construção dessas infra-estruturas, disse que a Secil trabalha nos estudos de viabilidades sobre os preços dos bilhetes e os custos operacionais.

Em Luanda, o transporte de passageiros marítimos por catamarãs foi lançado em 2014, sob gestão da extinta TMA Express, no âmbito do programa de integração e complementaridade das todas as modalidades de transportes: aéreo, rodoviário, ferroviário e marítimo.

A ideia era minimizar os constrangimentos dos cidadãos residentes no Kilamba e Benfica a chegar mais rápido ao centro da cidade, na rota Capossoca/Porto de Luanda, para evitar os habituais transtornos no trânsito caótico da cidade.

Esclareceu que em função da extinção TMA Express, a Secil herdou os activos e passivos, daí estarem a pagar os salários em atraso de 2018, 2019 e outras dívidas, bem como empregar alguns dos funcionários, em função das especificidades técnicas (pilotos, capitãs e contramestres).

Dispersão de serviço dita fracasso do negócio dos catamarãs

A dispersão dos serviços rentáveis e a falta de manutenção da Doca dos Catamarãs estiveram na base do fracasso da Unidade de Negócios dos Transportes Marítimos de Angola (UN-TMA Express), segundo o coordenador de comissários de bordo, Emanuel da Costa.

Segundo Emanuel da Costa, a TMA Express tinha nas suas infra-estruturas áreas reservadas para restaurantes, cafés, bancos comerciais e outros, bem como parques de estacionamento que estavam terciarizados e arrendados.

Referiu que os recursos financeiros resultantes destes arrendamentos não eram depositados nos cofres da empresa.

Por outro lado, além da bilheteira dos barcos, a TMA Express prestava serviços de frete a outras instituições, como escolas públicas e privadas, igrejas, empresas que pretendiam fazer turismo.

Para se ter uma ideia, disse que os catamarãs Cacuaco, Panguila e Macocô juntos transportavam cerca de mil e 300 passageiros no período da manhã e igual número no período da tarde/dia a um preço de 250 kwanzas o bilhete.

Já o Catamarã Cat-Angola I, o mais veloz (que depois naufragou), nos fins de semanas e feriados transportava na linha Mussulo/Kapossoka cerca de dois mil passageiros/dia.

Sublinhou ter sido um negócio economicamente viável, tendo em conta os indicadores.

Para si, as manutenções eras básicas, como mudança de filtros de óleo, ar, bomba de combustíveis, entre outros.

A TMA tem agora quatro Catamarãs, nomeadamente, o Luanda, Cacuaco, Panguila, Macocô. O Cat-Angola I naufragou em 2019.

A empresa transportou até 21 de Setembro de 2018, pelo menos 1,09 milhões de passageiros desde que começou a circular em 2014.

Em 2014, o número de passageiros foi de 252 mil e 318 e no ano seguinte, isto é, em 2015, o número subiu para 315 mil e 613. Mas, de 2015 até 2017 o número de passageiros registou uma queda vertiginosa.

A empresa contabilizou 286 mil e 662 passageiros em 2016 mas este número caiu para 153 mil e 91 em 2017, uma queda de 53,4%.

Em Outubro de 2018, ao preço médio de AKz 250 o bilhete de passagem, a TMA Express registou um prejuízo de AKz 33,3 milhões.

A empresa encerrou o ano de 2016 com uma facturação de 71,6 milhões AKz (434,3 mil USD ao câmbio fixo de AKz 165) e caiu para AKz 38,2 milhões (231 mil USD) em Dezembro de 2017.

A tendência de queda começou a registar-se em 2015, um ano após da entrada em circulação dos catamarãs. No ano seguinte, isto é, em 2016, este número começou a cair e mantém a tendência de queda até a paralisação completa em finais de 2018.

Até 21 de Setembro de 2018, os catamarãs transportaram apenas 85 mil e 669 passageiros, ou seja, 55% do número de passageiros registados 2017.

A tendência de queda observou-se também no número de viagens efectuadas pelos catamarãs, que passou de 6.058 em 2016 para 5.420 viagens em 2017.

Até 21 de Setembro de 2018 os catamarãs tinham efectuado apenas metade das viagens realizadas em 2017.

Contudo, desde 2014 os catamarãs realizaram 20 mil e 775 viagens de ida e volta do Museu da Escravatura ao Porto de Luanda, passando pelo Capossoca e vice-versa.

Fonte: Angop/AF

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