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Como a morte de Kobe foi decisiva para o adeus de Sharapova: “Era suposto encontrarmo-nos três dias depois do acidente”

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Poucas horas após o anúncio do adeus à competição, o “New York Times” publicou a primeira entrevista de Maria Sharapova enquanto tenista retirada. Após várias temporadas a jogar com dores no ombro direito, a russa largou definitivamente a raqueta e admitiu ao diário norte-americano que a morte de Kobe Bryant, de quem era próxima, acabou por ser decisiva para o antecipar do adeus, depois de ter contemplado o abandono durante o voo de regresso a Los Angeles, após a desilusão da derrota na 1.ª ronda do Open da Austrália.

“Era suposto encontrarmo-nos três dias depois do acidente”, revelou a cinco vezes campeã de torneios do Grand Slam, que sempre teve no basquetebolista um amigo. Sharapova havia contactado Kobe Bryant precisamente para falarem sobre a quebra física que o seu corpo estava a sofrer: a russa precisava de conselhos, mas o encontro nunca chegou a acontecer.

“Acho que às vezes vemos a nossa viagem como algo maior do que a vida, por causa daquilo que fazemos. Mas, lá no fundo, todos nós somos incrivelmente frágeis”, continuou, frisando que a notícia da morte de Kobe foi um “abrir de olhos” para aquilo que realmente interessa na vida: “Aquele foi o momento em que eu pensei verdadeiramente no meu futuro”.

Ao “New York Times”, Sharapova admitiu ainda como lhe custa ver fotos antigas, quando os problemas físicos ainda não eram uma questão. “Olho para as fotos em que estou em movimento, no momento antes de bater a bola e sinto-me mal. Porque tenho muitas dores agora”.

Sharapova, de 32 anos, revela ainda que “nos últimos seis meses”, 14 horas do seu dia eram passados a “tratar” do seu corpo. Desde muito cedo na carreira que a russa lidou com problemas nos ligamentos do ombro direito que, por vezes, tornavam até impossível à tenista segurar a raqueta. A força mental que sempre foi uma das suas maiores mais-valias em campo, acabou por atrasar o que parecia inevitável. “A minha perseverança era a minha maior ferramenta, a minha maior força, mas comecei a sentir que se estava a tornar uma fragilidade, porque era a minha teimosia que me fazia continuar, pelas piores razões”.

Em 2016, Maria Sharapova foi suspensa depois de um positivo à substância proibida meldonium, uma substância que a russa admitiu ter tomado durante mais de 15 anos, quando ainda era permitida, para combater uma deficiência de magnésio e tonturas. Depois de regressar à competição, a sua carreira nunca mais foi a mesma, mas Sharapova recusa que tenha sido a falta do fármaco a ditar os momentos menos bons dentro de campo.

“Nada. O meu ombro sempre foi um problema desde que tinha 21 anos”, justifica.

Por agora, os planos passam por aproveitar o tempo livre. Na última semana, esquiou pela primeira vez, enviando o vídeo do momento ao jovem tenista italiano Jannik Sinner, seu antigo companheiro de treino e que foi, em tempos, uma promessa do esqui alpino. "Ele respondeu-me: 'Acho que devias continuar a jogar ténis'". Ténis, pelo menos a nível profissional, já não será, mas Sharapova não vai ficar parada: vai dedica-se ainda mais à sua marca de doces, a Sugarpova, e em breve também gostaria de estudar arquitetura.

Fonte: MSN DESPORTO/BA

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